Não gosto do outono,
nem de Outubro.
As mágoas enraizam, regurgito sofrimentos,
lutando ainda para que meu mel não petrifique.
Meu ferrão é dos grandes e agressivos.
Tenho vontades e pensamentos psicopatas contra vespas que me perturbam.
Viúva negra, não é páreo pra mim.
A falta de melanina eu desconto no caráter que lhe falta e que me sobra.
No mês de Outrubro tudo piora, e ainda que
por aí a fora, por aqui por dentro aflora tudo
quanto passara e soubera,
e espero com fervor minha primavera
que trará um prato frio,
não feito por mim,
pela cozinheira vida,
e hei de comer com gozo,
orgasmos múltiplos de ver que nem tudo fica impune.
Tua imundicie será minha glória.
E na lama deste mês já canto vitória,
da tua desgraçada marca mísera e profunda
que somente hoje me atormenta.

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